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Selic em 14,75%: entenda os próximos passos do BC

19 de março de 2026 | Equipe Braza Bank

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Equipe Braza Bank

Selic em 14,75% a.a.: Entenda a decisão do Copom e os próximos passos dos juros 

A decisão mais recente do Banco Central marca uma virada importante na política monetária brasileira. Após quase dois anos sem reduções, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um novo ciclo ao cortar a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano. 

Embora o movimento já fosse amplamente esperado pelo mercado, o contexto em que ele ocorre é tudo, menos trivial. A escalada do conflito no Oriente Médio, a disparada do petróleo e as incertezas sobre a economia global criaram um ambiente mais complexo para a condução dos juros. 

O resultado é um cenário em que o início da queda da Selic vem acompanhado de cautela — e, principalmente, de dúvidas sobre o ritmo dos próximos cortes. 

Saiba mais! 

Por que o Banco Central decidiu cortar a Selic? 

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços estão pressionados, os juros sobem para frear o consumo. Quando há espaço, os juros podem cair para estimular a economia. 

No momento, o Copom avalia que a inflação está em trajetória de convergência para a meta, ainda que com riscos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses segue abaixo de 4%, dentro do intervalo de tolerância definido pelo sistema de metas do Conselho Monetário Nacional (CMN).  

Desde 2025, o Brasil adota o modelo de meta contínua, com objetivo central de 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o Banco Central não olha apenas para o fechamento do ano, mas para a inflação acumulada mês a mês. 

Outro ponto importante é que a política monetária atua com defasagem. As decisões de hoje levam de seis a 18 meses para impactar a economia. Por isso, o Copom toma decisões olhando para o futuro — neste caso, já considerando projeções para 2027. 

Por que o corte foi de apenas 0,25 ponto percentual? 

Apesar do início do ciclo de queda, o Banco Central optou por um movimento mais conservador. O corte de 0,25 ponto percentual foi interpretado como um sinal claro de cautela. 

O principal motivo está no aumento das incertezas externas. A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo para patamares acima de US$ 100 por barril, o que pode pressionar a inflação global. 

Com combustíveis mais caros, há impacto direto no custo de transporte, na produção e no preço final de diversos produtos. Esse efeito em cadeia aumenta o risco de inflação persistente. 

Diante disso, o Copom evita acelerar o ritmo de cortes para não perder o controle das expectativas inflacionárias. 

Leia também: IOF e stablecoins: o impacto das novas regras do Banco Central  

Como a guerra no Oriente Médio influencia a Selic? 

O conflito internacional entrou de forma explícita no radar do Banco Central. No comunicado oficial, o tema foi citado diversas vezes como um fator de risco relevante. 

O impacto ocorre por diferentes canais: 

commodities mais caras: petróleo em alta pressiona custos globais 

cadeia de suprimentos: possíveis interrupções logísticas elevam preços 

incerteza global: investidores exigem maior prêmio de risco 

Esse ambiente torna mais difícil prever o comportamento da inflação. E, para o Banco Central, a previsibilidade é essencial na definição da taxa de juros. 

Por isso, a autoridade monetária sinalizou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário internacional. 

O que esperar dos próximos passos da Selic? 

Diferentemente de outros momentos, o Copom evitou dar indicações claras sobre o futuro da taxa de juros. Na prática, isso significa que o ciclo de queda começou, mas não está garantido. 

O Banco Central adotou uma postura dependente de números. Ou seja, as próximas decisões dependerão dos dados econômicos. 

Entre os principais fatores que devem orientar o Copom estão: 

evolução da inflação no Brasil; 

comportamento do preço do petróleo; 

impacto da guerra na economia global; 

expectativas do mercado financeiro. 

Se o cenário externo se estabilizar e a inflação seguir controlada, novos cortes podem ocorrer, ainda que em ritmo gradual. Por outro lado, uma piora no ambiente global pode interromper ou desacelerar esse processo. 

A próxima reunião, a terceira do ano, será entre os dias 28 e 29 de abril. 

Saiba mais: O que deve movimentar a economia no ano?  

Qual o papel dos juros dos Estados Unidos nesse cenário? 

A política monetária americana também exerce influência sobre o Brasil. Também na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano. 

Assim como no Brasil, o ambiente externo tem pesado nas decisões. A guerra no Oriente Médio trouxe novas incertezas, especialmente em relação à inflação e ao crescimento econômico. 

Apesar disso, o Fed ainda projeta ao menos um corte de juros ao longo do ano. Entretanto, a entidade segue sem indicar quando isso deve acontecer. 

Essa dinâmica é importante porque afeta o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Quanto maior esse diferencial, maior a atratividade de investimentos no Brasil, especialmente em operações de “carry trade”. 

Se o Brasil reduzir os juros muito rapidamente, enquanto os EUA mantêm taxas elevadas, o país pode perder o fluxo de capital estrangeiro — o que pressionaria o câmbio e a inflação. 

Quais são os impactos na economia brasileira? 

Mesmo com o início do ciclo de queda, a taxa Selic ainda permanece em um nível elevado. Isso significa que os efeitos restritivos sobre a economia continuam presentes. 

Entre os principais impactos estão: 

crédito mais caro para empresas e consumidores; 

menor estímulo ao consumo; 

investimentos ainda contidos; 

dificuldade na redução do endividamento das famílias. 

Por isso, diferentes setores da economia reagiram à decisão com críticas. Entidades da indústria, comércio e trabalhadores consideram que o corte foi insuficiente para reativar o crescimento. 

Na avaliação desses grupos, a política monetária ainda está excessivamente restritiva, mesmo diante de sinais de desaceleração da inflação. 

O que pode mudar no cenário daqui pra frente? 

O futuro da Selic dependerá, principalmente, da interação entre fatores internos e externos. No cenário mais otimista, uma desaceleração do conflito no Oriente Médio poderia aliviar os preços das commodities, reduzindo a pressão inflacionária. Isso abriria espaço para cortes mais consistentes da taxa de juros. 

Já em um cenário de risco, com guerra prolongada e petróleo elevado, a inflação pode voltar a subir. Nesse caso, o Banco Central teria menos espaço para reduzir os juros — ou poderia até interromper o ciclo. 

Além disso, o comportamento do dólar e das expectativas do mercado será determinante. Qualquer desancoragem pode exigir uma postura mais conservadora da autoridade monetária. 

Como se preparar para um cenário de juros incertos? 

A decisão do Copom reforça um ponto central: o ambiente econômico global está cada vez mais volátil e imprevisível. 

Para empresas e investidores com exposição internacional, essa instabilidade pode impactar diretamente custos, receitas e planejamento financeiro. 

Nesse contexto, estratégias de proteção, como o hedge cambial, ganham ainda mais relevância. Elas permitem reduzir a exposição às oscilações do mercado e trazer maior previsibilidade para operações futuras. 

Entre em contato com nosso time e saiba mais! 

Em resumo 

Por que a Selic caiu? 

Porque a inflação está em trajetória de convergência para a meta, permitindo o início do ciclo de redução dos juros. 

Por que o corte foi pequeno? 

Devido às incertezas externas, especialmente a guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação. 

A Selic vai continuar caindo? 

Possivelmente, mas em ritmo incerto e dependente dos dados econômicos. 

Qual a influência dos EUA? 

Os juros americanos afetam o fluxo de capital e o câmbio, influenciando as decisões do Banco Central brasileiro. 

O que muda na prática? 

Apesar do corte, os juros ainda estão altos, e os efeitos na economia devem ser graduais.