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Dólar em 2026: o que esperar do câmbio em um ano de eleições e transição global?

19 de janeiro de 2026 |

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O mercado de câmbio no Brasil é, historicamente, um dos termômetros mais sensíveis da nossa economia. Após um 2025 de surpresas e uma valorização expressiva do real diante do dólar, entramos em 2026 com um cenário que mistura o otimismo de fundamentos sólidos com a cautela típica de um ano eleitoral. 

Para investidores, importadores e empresas que operam no comércio exterior, entender a dinâmica da moeda norte-americana não é apenas uma questão de acompanhar cotações, mas de realizar um planejamento cambial eficiente.  

2026 tende a ser definido pelo equilíbrio entre o ciclo de queda de juros nos EUA, o ajuste fiscal doméstico e, claro, o ruído das urnas eletrônicas. Neste artigo, detalhamos o que move o dólar hoje e quais são as perspectivas para os próximos meses. 

Por que o real se fortaleceu em 2025? 

O ano de 2025 foi marcado por uma performance da moeda brasileira diferente de muitas das expectativas traçadas no fim de 2024. O dólar acumulou uma queda de 11% no ano, encerrando o período na casa dos R$ 5,48.  

Dois fatores principais sustentaram esse movimento: 

  • enfraquecimento global do dólar: o índice DXY (que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes) recuou quase 9%. O cenário de "pouso suave" (soft landing) nos EUA permitiu que o capital migrasse para emergentes; 
  • diferencial de juros (carry trade): com a taxa Selic mantida em 15% na maior parte de 2025, o Brasil se tornou um dos destinos mais atrativos do mundo para investidores estrangeiros. Esse fluxo massivo de dólares para ativos locais valorizou o real. 

Contudo, o final de 2025 já dava sinais de que 2026 seria diferente. O anúncio de pré-candidaturas presidenciais e incertezas sobre o cumprimento das metas fiscais trouxeram a volatilidade de volta ao radar. 

Confira nossa retrospectiva:  

Retrospectiva 2025  

Quais elementos movimentam o câmbio? 

Ao longo das duas primeiras semanas de 2026, o dólar operou entre R$ 5,35 e R$ 5,45. Embora a inflação brasileira tenha encerrado 2025 dentro da meta (4,26%), o mercado mantém o "pé no freio".  

No primeiro Boletim Focus de janeiro de 2026, o mercado projeta que o dólar encerre o ano em R$ 5,50, indicando uma leve pressão de alta em relação aos patamares atuais. 

Mas, para entender as oscilações diárias, é preciso olhar para estes pilares: 

  • oferta e demanda: é a regra básica. Se o Brasil exporta muito (entra dólar) e atrai investimento estrangeiro, o preço cai. Se há fuga de capital ou muitas remessas de lucros para o exterior, o preço sobe; 
  • carry trade: a distância entre a Selic e as taxas de juros nos Estados Unidos, definidas pelo Federal Reserve (Fed); 
  • Risco Brasil: é a percepção internacional sobre a nossa capacidade de pagar a dívida pública. Geralmente, quando o governo gasta mais do que arrecada e a dívida pública sobe, o risco aumenta, e investidores exigem um dólar mais caro para permanecer no país; 
  • cenário político: em anos eleitorais, como 2026, qualquer declaração sobre mudanças na política econômica ou fiscal gera volatilidade imediata; 
  • commodities: como grande importador e exportador, o preço de commodities, como soja, petróleo e minério de ferro no comércio exterior, movimenta os números da balança comercial. 

Ademais, investidores notam que, frequentemente, quando o Ibovespa — principal índice de ações da bolsa de valores brasileira, a B3 — sobe, o dólar cai. O oposto também costuma acontecer, com alta do dólar e queda do Ibovespa.  

Vale saber que, em janeiro de 2026, a B3 renovou recordes na casa dos 165 mil pontos, impulsionado por bons resultados de empresas de commodities (Vale e Petrobras). 

Essa correlação negativa ocorre porque o otimismo atrai capital estrangeiro: o investidor vende dólares para comprar ações brasileiras, aumentando a oferta da moeda americana e reduzindo seu preço.  

Contudo, em momentos de aversão ao risco, ambos podem oscilar juntos devido à fuga geral para ativos de segurança. 

Quais são as expectativas para 2026? 

O ano de 2026 deve ser dividido em dois atos: o primeiro semestre de ajustes econômicos e o segundo semestre dominado pela política. 

A queda da Selic e o impacto no real 

Na visão de analistas do mercado, o Banco Central sinaliza o início de um ciclo de cortes na Selic a partir de março de 2026. A projeção é que a taxa termine o ano em 12,25%. 

Entretanto, se os juros caírem muito rápido sem uma melhora fiscal, o real perde atratividade, o que pode empurrar o dólar para cima. 

Além disso, a economia americana parece ter evitado uma recessão em 2025, conseguindo conter a inflação e crescer. Para 2026, o Fed deve continuar cortando juros, o que teoricamente mantém o dólar globalmente mais fraco.  

O fator “Eleição” 

Não podemos falar de 2026 sem falar das eleições presidenciais. Historicamente, anos eleitorais no Brasil trazem uma curva de volatilidade muito clara: 

  • 1º semestre: período de definições de alianças. O mercado monitora o perfil dos candidatos e seus conselheiros econômicos; 
  • 3º trimestre (pico): é o momento de maior estresse, refletindo a incerteza dos debates e pesquisas; 
  • 4º trimestre: geralmente ocorre uma acomodação após o resultado das urnas, à medida que o mercado precifica o novo (ou reeleito) governo. 

Como elaborar um planejamento cambial diante das incertezas? 

Diante de tanta incerteza, "esperar para ver" não é uma estratégia de negócios. O planejamento cambial deve ser tratado como um seguro. 

Soluções de hedge cambial servem para travar o preço da moeda e garantir que a sua margem de lucro não seja devorada por uma oscilação repentina. 

Para ter mais segurança, você deve: 

  • identificar sua exposição: quanto do seu custo ou receita depende do dólar?; 
  • evitar especulação: o câmbio é imprevisível. O objetivo do planejamento não é lucrar com a oscilação, mas garantir a margem do seu negócio; 
  • usar ferramentas de proteção: travas de câmbio permitem que você fixe uma taxa hoje para operações futuras, eliminando o risco de um disparo repentino durante as eleições. 

Quer se proteger da volatilidade? Conte com o suporte do maior banco exclusivo de câmbio do país.  

Entre em contato com nosso time e conheça nossos serviços! 

 

Em resumo 

Como foi o desempenho do dólar em 2025?  

O dólar acumulou uma queda de aproximadamente 11%, recuando de patamares acima de R$ 6,00 para a casa dos R$ 5,40. Este movimento foi impulsionado pelo enfraquecimento global da moeda americana e pelos juros elevados no Brasil (Selic a 15%), que atraíram capital estrangeiro. 

O que esperar do dólar em 2026?  

A expectativa é de um ano de transição e maior instabilidade. O consenso de mercado, refletido no Boletim Focus, projeta o dólar em torno de R$ 5,50 no encerramento do ano. Contudo, o caminho será marcado por flutuações, especialmente devido ao início do ciclo de redução de juros no Brasil e à proximidade das eleições. 

Quais são os principais riscos de volatilidade?  

O calendário eleitoral brasileiro é o principal gatilho de incerteza, com picos de volatilidade previstos para o terceiro trimestre. Além disso, a saúde fiscal do país (equilíbrio entre gastos e arrecadação) e as decisões de juros do Fedcontinuam sendo fatores determinantes para a cotação. 

Como o cenário brasileiro influencia a moeda este ano? 

 O Brasil enfrenta o desafio de manter a confiança do investidor enquanto reduz a Selic. Se a queda dos juros for percebida como precipitada ou se houver deterioração nas contas públicas, o real pode se desvalorizar.  

Como elaborar um planejamento cambial eficiente?  

Diante das incertezas, a melhor estratégia é a proteção, e não a especulação. Utilizar ferramentas de hedge cambial permite fixar taxas e garantir previsibilidade de custos.