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Drex: como a moeda digital brasileira pode mudar o cenário financeiro nacional?
3 de abril de 2025 |

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3 de abril de 2025 |
O Drex, a nova moeda digital brasileira desenvolvida pelo Banco Central (Bacen), representa um marco na modernização do sistema financeiro do país. Ele chega para tornar as transações digitais mais seguras e eficientes, além de impulsionar a economia digital e ampliar a inclusão financeira.
No entanto, sua adoção traz desafios, como questões regulatórias, a adaptação das instituições financeiras e mudanças no comportamento dos usuários.
Neste artigo, você verá como o Drex pode transformar o cenário financeiro nacional, suas principais características e como ele se diferencia de outras moedas digitais.
Acompanhe a leitura para saber os principais detalhes!
Como você viu, o Drex, também chamado de real digital, é uma moeda digital desenvolvida pelo Bacen. Ele é uma Central Bank Digital Currency (CBDC), ou moeda digital do Banco Central, em tradução livre.
O Drex funcionará como uma versão digital do real, operando em um sistema financeiro regulado. No entanto, sua implementação continua em fase de testes e não está disponível para o público.
O nome foi criado a partir da combinação dos seguintes elementos:
O Drex terá o mesmo valor do real físico, mas funcionará exclusivamente no ambiente digital. Seu principal objetivo é tornar transações financeiras mais rápidas, acessíveis e seguras.
Além disso, ele busca impulsionar novas soluções financeiras baseadas em blockchain e Distributed Ledger Technology (DLT), como smart contracts — os contratos inteligentes.
Esses smart contracts são escritos em código e armazenados em redes blockchain. Quando um evento ou condição pré-definida ocorre, o contrato executa automaticamente as ações previstas. Isso elimina a necessidade de validação manual e reduz custos operacionais.
Inicialmente, o Drex será utilizado em transações entre instituições financeiras. No dia a dia, usuários poderão utilizar tokens lastreados na moeda, que serão emitidos por bancos e outras instituições financeiras para facilitar pagamentos digitais.
Para utilizar o Drex, os usuários precisarão recorrer a intermediários financeiros autorizados, como bancos, cooperativas e instituições de pagamento. Esses intermediários converterão os saldos de depósitos à vista ou contas de pagamento dos clientes em Drex, que será armazenado em carteiras digitais.
As transações serão realizadas por meio dos aplicativos dessas instituições, de forma semelhante ao Pix, mas com algumas diferenças importantes:
Para entender melhor, imagine que um cliente deseja comprar um imóvel tokenizado, ou seja, registrado digitalmente no blockchain. Nesse cenário, o processo ocorre da seguinte maneira:
Além do setor imobiliário, a moeda digital brasileira poderá ser utilizada para automatizar pagamentos recorrentes e agilizar transações internacionais.
O Drex também poderá viabilizar a tokenização de ativos financeiros, permitindo que investimentos sejam fracionados e acessíveis a um maior número de pessoas. Essas características tornam o Drex uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência do sistema financeiro, reduzir custos e ampliar o acesso a serviços bancários no Brasil.
Nos últimos anos, o Banco Central do Brasil tem investido fortemente na modernização do sistema financeiro, com uma inovação de destaque: o Pix. Em conjunto com Drex, ambos foram projetados para tornar as transações financeiras mais eficientes, mas possuem funções e propósitos distintos.
O Pix foi desenvolvido para facilitar pagamentos diários entre pessoas físicas e jurídicas, proporcionando transferências instantâneas de forma simples e prática.
Já o Drex, por ser uma moeda digital emitida pelo Banco Central, tem um papel mais abrangente dentro do sistema financeiro, como você já viu.
Assim, com o aprimoramento das tecnologias envolvidas, bancos e fintechs poderão emitir tokens digitais baseados no Drex. Eles então poderão ser usados para realizar pagamentos no ambiente do Pix.
Ou seja, o Pix se tornará uma ferramenta capaz de movimentar ativos tokenizados, criando novas oportunidades para transações mais rápidas e seguras.
Embora o Drex seja uma moeda digital, ele não é uma criptomoeda, sabia? Para ser considerada como tal, o real digital precisaria atender a características como descentralização, emissão sem controle governamental e valorização determinada pela lei da oferta e da demanda do mercado.
O Drex é, na verdade, uma CBDC. Ou seja, uma moeda digital emitida e controlada pelo Banco Central. Isso o diferencia de criptomoedas como o Bitcoin, que operam em sistemas descentralizados e sem regulamentação governamental.
Para entender melhor as distinções, veja a tabela a seguir:
Apesar de o Drex utilizar tecnologia blockchain, seu funcionamento é muito diferente do das criptomoedas tradicionais. Ele foi desenvolvido para integrar-se ao sistema financeiro oficial, garantindo segurança e estabilidade, enquanto as criptomoedas operam de forma independente dos bancos centrais.
O Drex continua em fase de testes e não está disponível para uso público. O Piloto, iniciado em março de 2023, foi uma etapa fundamental para avaliar a funcionalidade, segurança e eficiência da plataforma antes de sua implementação definitiva.
Atualmente (abril de 2025), o projeto está na segunda fase, que envolve testes avançados com a participação de instituições financeiras. Aqui, o foco está na validação das funcionalidades relacionadas à privacidade e segurança das transações, elementos essenciais para garantir a confiança e integridade do sistema.
Embora o Banco Central ainda não tenha anunciado uma data oficial para o lançamento do Drex ao público, a previsão é que o Drex seja disponibilizado em 2025. Vale destacar que esse cronograma pode ser ajustado dependendo dos resultados dos testes e das necessidades de aprimoramento da tecnologia.
Vale destacar que as CBDCs fazem parte de uma tendência econômica recente. Segundo levantamento do Atlantic Council, três países já fizeram o lançamento da sua moeda até abril de 2025: Bahamas, Jamaica e Nigéria.
Outros 44, com o Brasil incluso, estão com a moeda em fase de testes. Dentre os principais destaques, há União Europeia, Austrália, Índia, China e Japão.
Chegando até aqui, você já entendeu melhor sobre o funcionamento do Drex e como ele se diferencia das criptomoedas tradicionais. Mas, afinal, como ele poderá, de fato, mudar o cenário financeiro nacional?
Veja os principais destaques!
Uma das principais vantagens do Drex é a sua previsibilidade e estabilidade, já que ele é lastreado no real. Isso o diferencia das criptomoedas tradicionais, que possuem alta volatilidade e operam de forma descentralizada.
Por ter uma infraestrutura baseada em blockchain, o Drex proporciona mais transparência e rastreabilidade, permitindo um controle mais seguro das operações financeiras.
No comércio exterior, por exemplo, o Drex tem o potencial para agilizar e reduzir os custos das transações internacionais, eliminando intermediários financeiros e processos burocráticos.
Outro ponto importante é a tokenização de ativos, que permite representar digitalmente e negociar de forma segura bens como imóveis, veículos e commodities. Isso amplia as oportunidades de investimento e democratiza o acesso a produtos financeiros.
A redução da burocracia e dos custos operacionais também pode beneficiar pequenos empreendedores, ampliando suas possibilidades de crescimento na economia digital. Com a possibilidade de pagamentos e liquidações instantâneas, empresas brasileiras poderão ganhar competitividade, fortalecendo sua presença no mercado global.
A adoção da tecnologia DLT permitirá maior eficiência nas transações, reduzindo custos operacionais e facilitando a digitalização de ativos. Esse avanço coloca o Brasil em sintonia com as principais economias globais, promovendo inovação no setor financeiro.
A criação dessa infraestrutura digital ampliará as possibilidades de novos modelos de negócios, impulsionando serviços automatizados, modernizando processos financeiros e abrindo caminho para soluções mais acessíveis e seguras no mercado.
O Drex também poderá aumentar a segurança e a transparência no mercado financeiro, fortalecendo o controle sobre transações digitais e reduzindo riscos associados a moedas não regulamentadas, como as stablecoins.
Com uma alternativa oficial e supervisionada pelo Bacen, espera-se que a adoção do Drex desestimule o uso de ativos digitais sem regulamentação adequada.
A implementação do Drex pode fortalecer o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), tornando-o mais moderno e eficiente. Isso acontece porque o Drex vai além do Pix, adicionando uma camada de segurança e eficiência nas transações, especialmente em operações de atacado e interbancárias.
Desse modo, ele pode aumentar a competitividade no setor financeiro e colocar o Brasil em um patamar avançado no contexto financeiro global.
O Banco Central poderá usar o Drex para monitorar e controlar melhor a economia, com uma visão mais clara sobre as transações financeiras em tempo real. Isso pode aumentar a eficácia da política monetária, permitindo ajustes mais rápidos em tempos de crise ou inflação, já que as transações digitais são mais fáceis de rastrear.
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