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Contas públicas: governo tem déficit em fevereiro, mas mantém superávit no ano
1 de abril de 2026 | Equipe Braza Bank

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As contas públicas brasileiras voltaram ao centro do debate econômico após a divulgação dos dados mais recentes do Governo Federal. Em fevereiro de 2026, a União registrou déficit primário de R$ 30,046 bilhões.
O número representa um resultado negativo que, à primeira vista, pode gerar preocupação. No entanto, o cenário completo é mais equilibrado do que o número isolado sugere.
No acumulado do primeiro bimestre, o governo ainda mantém um superávit de R$ 56,854 bilhões, sustentado principalmente pelo desempenho positivo de janeiro.
Esse contraste entre um mês negativo e um início de ano positivo revela um ponto importante: a dinâmica fiscal brasileira continua dependente de fatores sazonais, crescimento da arrecadação e controle das despesas.
Ao mesmo tempo, o governo já sinaliza cautela, com medidas de contenção de gastos e monitoramento constante para cumprir a meta fiscal de 2026.
A seguir, entenda o que está por trás desses números, o que eles indicam sobre a economia e quais são os próximos desafios.
O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública.
Em fevereiro, esse resultado negativo foi de R$ 30,046 bilhões, refletindo uma diferença entre:
Receita líquida: R$ 157,681 bilhões
Despesa líquida: R$ 187,727 bilhões
Apesar do saldo negativo, houve uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit foi maior. Isso indica que, embora o governo ainda gaste mais do que arrecada em determinados momentos, há algum avanço no controle fiscal.
Além disso, o resultado veio melhor do que o esperado pelo mercado financeiro, que projetava um déficit mais elevado para o período.
Mesmo com o resultado negativo em fevereiro, o governo acumula superávit no primeiro bimestre. Isso acontece porque janeiro costuma apresentar forte arrecadação, o que ajuda a equilibrar as contas no início do ano.
Entre janeiro e fevereiro de 2026, o superávit primário alcançou R$ 56,854 bilhões. O cenário representa um crescimento real, com alta de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025
Esse desempenho foi impulsionado por um aumento nas receitas, especialmente:
Arrecadação de tributos federais;
Contribuições para a Previdência;
Crescimento de impostos como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Ao mesmo tempo, as despesas também cresceram, mas em ritmo relativamente controlado.
A arrecadação federal apresentou crescimento real — ou seja, acima da inflação. Esse movimento está ligado a diferentes fatores econômicos e mudanças recentes na legislação.
Entre os principais destaques estão:
IOF em alta: crescimento expressivo após mudanças nas regras de cobrança implementadas em 2025;
COFINS: aumento impulsionado pelo dinamismo da atividade econômica;
Previdência: maior arrecadação refletindo o avanço do emprego formal;
Outras receitas administrativas: aumento relacionado a depósitos judiciais.
Por outro lado, houve queda em fontes relevantes, como:
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos do trabalho;
Contribuição sobre lucro líquido (CSLL);
Dividendos pagos por estatais.
Esse comportamento misto mostra que a arrecadação segue resiliente, mas ainda sujeita a oscilações.
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Se por um lado a arrecadação cresceu, por outro, as despesas também avançaram — o que limita a melhora do resultado fiscal.
Os principais fatores de pressão foram:
Previdência: aumento no número de beneficiários e reajuste do salário mínimo;
Pessoal: impacto dos reajustes concedidos ao funcionalismo público;
Educação: expansão de programas como o Pé-de-Meia;
Saúde: ampliação dos gastos no setor.
Além disso, despesas discricionárias (não obrigatórias) cresceram, refletindo políticas públicas e investimentos.
Por outro lado, houve redução em algumas áreas, como:
Abono salarial e seguro-desemprego;
Subsídios e programas agrícolas;
Transferências a estados e municípios.
Esse equilíbrio parcial ajuda a conter o avanço total dos gastos, mas não elimina a pressão estrutural sobre o orçamento.
Quando se observa o setor público consolidado — que inclui governo federal, estados, municípios e estatais — o cenário ganha mais nuance. No primeiro bimestre de 2026, o superávit total foi de R$ 87,301 bilhões. O número é equivalente a 4,23% do Produto Interno Bruto (PIB).
Esse resultado é puxado principalmente pelo Governo Central, mas também conta com desempenho positivo de estados e municípios.
Já no acumulado de 12 meses, o setor público ainda apresenta déficit, embora em trajetória de leve melhora.
Isso indica que, apesar de resultados positivos pontuais, o equilíbrio fiscal de longo prazo ainda é um desafio.
A meta fiscal do governo para 2026 é encerrar o ano com superávit primário de cerca de 0,25% do PIB, com uma margem de tolerância.
Na prática, isso significa:
possibilidade de resultado próximo de zero;
ou superávit mais elevado, dependendo da execução das contas.
No entanto, projeções oficiais indicam um cenário mais desafiador. Considerando todas as receitas e despesas, a expectativa é de déficit de cerca de R$ 59 bilhões em 2026.
Esse número pode ser ajustado para fins de cumprimento da meta, já que algumas despesas ficam fora do cálculo, como precatórios acima do limite e gastos específicos com saúde, educação e defesa.
Ainda assim, o cenário exige atenção, especialmente diante da necessidade de manter a credibilidade fiscal.
Como resposta a esse cenário, o governo anunciou o bloqueio de cerca de R$ 1,6 bilhão do Orçamento de 2026.
A medida faz parte de uma estratégia de ajuste fiscal e busca:
Alinhar despesas à arrecadação;
Evitar deterioração das contas públicas;
Garantir o cumprimento da meta fiscal.
A maior parte do bloqueio recai sobre despesas discricionárias, ou seja, gastos que podem ser ajustados ao longo do tempo.
Além disso, o governo adotou o chamado faseamento de despesas, que limita o ritmo de execução orçamentária durante o ano.
Na prática, isso permite maior controle sobre os gastos e flexibilidade para ajustes conforme a evolução do cenário econômico.
Os dados mais recentes mostram um quadro misto. Por um lado:
Arrecadação em crescimento;
Superávit no início do ano;
Melhora em relação a períodos anteriores.
Por outro:
Despesas ainda pressionadas;
Déficit em meses específicos;
Necessidade de medidas de contenção.
No acumulado de 12 meses, o resultado primário do Governo Central segue negativo, embora em níveis mais baixos em relação ao passado.
Isso sugere que o país avança na direção do equilíbrio fiscal, mas ainda depende de disciplina e continuidade das políticas atuais.
O desempenho das contas públicas ao longo de 2026 dependerá de uma combinação de fatores.
Entre os principais pontos de atenção estão:
Crescimento da economia: impacta diretamente a arrecadação;
Controle das despesas: especialmente previdência e folha de pagamento;
Cumprimento do arcabouço fiscal: que limita o avanço dos gastos;
Cenário externo: que pode influenciar receitas e expectativas.
Caso a arrecadação continue crescendo e os gastos sejam mantidos sob controle, o governo pode se aproximar da meta fiscal. Por outro lado, qualquer frustração de receitas ou aumento inesperado de despesas pode dificultar esse caminho.
A evolução das contas públicas não afeta apenas o governo. Ela tem impacto direto sobre empresas e o ambiente de negócios.
Oscilações fiscais podem influenciar:
Câmbio;
Inflação;
Custo de crédito.
Em um contexto de incerteza, especialmente para empresas com exposição internacional, estratégias de proteção ganham importância.
O acompanhamento de indicadores fiscais e o uso de ferramentas como o hedge cambial ajudam a reduzir riscos e trazer mais previsibilidade financeira. Entre em contato com nosso time e saiba mais!
Por que houve déficit em fevereiro?
Porque as despesas superaram as receitas no mês, pressionadas por gastos com previdência, pessoal e programas sociais.
O governo está no vermelho em 2026?
Não. Apesar do déficit em fevereiro, o ano ainda acumula superávit no primeiro bimestre.
A meta fiscal está ameaçada?
Ainda não, mas o cenário exige controle de gastos e monitoramento constante.
Por que houve bloqueio de recursos?
Para ajustar o orçamento e evitar desequilíbrios nas contas públicas.
O que esperar daqui para frente?
Um cenário de cautela, com dependência da arrecadação e disciplina fiscal para cumprir as metas.